RECOMEÇO

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CLARA LIBE

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sábado, julho 24, 2010

FOLCLORE


O NEGRINHO DO PASTOREIO 
O Negrinho do Pastoreio É uma lenda meio africana meio cristã. Muito 
contada no final do século passado pelos brasileiros que defendiam o fim da 
escravidão. É muito popular no sul do Brasil.
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Nos tempos da escravidão, havia um estancieiro malvado com negros e 
peões. Num dia de inverno, fazia frio de rachar e o fazendeiro mandou que um 
menino negro de quatorze anos fosse pastorear cavalos e potros que acabara 
de comprar. No final do tarde, quando o menino voltou, o estancieiro disse 
que faltava um cavalo baio. Pegou o chicote e deu uma surra tão grande no 
menino que ele ficou sangrando. "Você vai me dar conta do baio, ou verá o 
que acontece", disse o malvado patrão. Aflito, ele foi à procura do animal. 
Em pouco tempo, achou ele pastando. Laçou-o, mas a corda se partiu e o 
cavalo fugiu de novo.
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Na volta à estância, o patrão, ainda mais irritado, espancou o garoto 
e o amarrou, nu, sobre um formigueiro. No dia seguinte, quando ele foi ver o 
estado de sua vítima, tomou um susto. O menino estava lá, mas de pé, com a 
pele lisa, sem nenhuma marca das chicotadas. Ao lado dele, a Virgem Nossa 
Senhora, e mais adiante o baio e os outros cavalos. O estancieiro se jogou 
no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu. Apenas beijou a mão 
da Santa, montou no baio e partiu conduzindo a tropilha.
E depois disso, entre os andantes e posteiros, tropeiros, mascates e 
carreteiros da região, todos davam a notícia, de ter visto passar, como 
levada em pastoreio, uma tropilha de tordilhos, tocada por um Negrinho, 
montado em um cavalo baio.
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Então, muitos acenderam velas e rezaram um Padre-Nosso pela alma do 
judiado. Daí por diante, quando qualquer cristão perdia uma coisa, o que 
fosse, pela noite o Negrinho campeava e achava, mas só entregava a quem 
acendesse uma vela, cuja luz ele levava para pagar a do altar de sua 
madrinha, a Virgem, Nossa Senhora, que o livrou do cativeiro e deu-lhe uma 
tropilha, que ele conduz e pastoreia, sem ninguém ver.
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Desde então e ainda hoje, conduzindo o seu pastoreio, o Negrinho, 
sarado e risonho, cruza os campos. Ele anda sempre a procura dos objetos 
perdidos, pondo-os de jeito a serem achados pelos seus donos, quando estes 
acendem um coto de vela, cuja luz ele leva para o altar da santa que é sua 
madrinha.
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Quem perder coisas no campo, deve acender uma vela junto de algum 
mourão ou sob os ramos das árvores, para o Negrinho do pastoreio e vá lhe 
dizendo: "Foi por aí que eu perdi... Foi por aí que eu perdi... Foi por aí 
que eu perdi...". Se ele não achar, ninguém mais acha. 

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